quinta-feira, 20 de março de 2014

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: “Tenho algo importante para te dizer”. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.
De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.
Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: “Por quê?”
Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouvi-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta
satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.
Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me
senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.
No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.
Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.
Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso
filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.
Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca, mas aceitei sua proposta para não tornar
meus próximos dias ainda mais intoleráveis.
Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio” – disse Jane em tom de gozação.
Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então, quando eu a carreguei para fora da casa, no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas palavras me causaram
constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da
casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.
No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto,
seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.
No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.
No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.
Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles, mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.
A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração….. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.
Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mãe todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos
segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o
meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.
Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: “Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo”.
Eu não consegui dirigir para o trabalho… fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia… Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar”.
Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua mão da minha testa e repeti.” Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta
de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe”.
A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouvi-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.
Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: “Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe”.
Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama – morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a nossa vida juntos
proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.
Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, do seu marido, façam pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!
Um casamento centrado em Cristo é um casamento que dura uma vida toda.
(Recebi o texto acima, por e-mail. Não sei quem escreveu. Acho, também, que pouco importa se é um relato real ou fictício. Por isso resolvi publicar aqui. Se salvar do divórcio um casamento fragilizado, terá valido a pena).





Desde sempre ouvimos falar do medo do desconhecido. A princípio soa como uma coisa esotérica ou de ficção científica.  Começamos a imaginar uma experiência extra-sensorial, ou abdução por extra-terrestres ou a mudança para um lugar muito distante. Mas dificilmente é o que significa. Na maioria das vezes o nosso desconhecido é uma coisa tão simples quanto um próximo passo.  E esse é o tipo que mais assusta. Tomar uma atitude que mude a vida, mesmo quando ela está insuportável, nos faz parar pra pensar, ou nem faz, às vezes o medo apenas nos paralisa.
Talvez seja por isso que o assunto divórcio apavore tanto as pessoas. Poucos tópicos são mais chocantes. A possibilidade de romper uma situação estabelecida e partir para a incerteza machuca. Deve ser porque poucos momentos na nossa vida são tão cheios de promessas duradouras e quebra-las nos parece intolerável. De uma coisa eu sei: poucas notícias são tão difíceis de dar e de receber. E digo mais: poucas são digeridas com tanta dificuldade. Chega a ser engraçado.  A primeira coisa que a pessoa diz quando você conta, quase num reflexo, é: vocês vão voltar. Os mais prudentes conseguem até usar um tom de pergunta, mas a maioria é categórica. Quando aconteceu comigo, depois de falar com as pessoas mais próximas, várias vezes eu tive que consola-las. Isso mesmo: consolar as pessoas da “tragédia” da minha separação.
No último século fomos tão criticados pela instituição do divórcio que o que ficou foi uma culpa enorme. Em nossas mentes estamos sempre desistindo a toa, sempre desvalorizando a família, sempre tentando a saída mais fácil. Será mesmo?? Não sou nenhuma especialista em estatística, nem tenho números, mas não é o que tenho visto. Vejo pessoas, mulheres e homens, tentando a qualquer custo levar relações  adiante, até limites inimagináveis. Isso até acabou criando um efeito colateral que seria cômico se não fosse trágico: mais de uma vez percebi inveja nas pessoas, principalmente nas mulheres.  Sim, inveja do meu divórcio. Não me lembro de ter visto esse olhar quando contava que tinha me casado.
Não, de maneira nenhuma faço apologia ao fim do casamento. Pelo contrário. Sou uma boba romântica e idealista que acredita que um relacionamento estável pode sim, fazer as pessoas felizes. Bem, não sou tão boba assim, né? Sei das dificuldades (ô, se sei!). Mas também sei que é preciso tentar.  Não existem príncipes, nem princesas, nem finais felizes, só pessoas que tiveram a sorte de ter encontros bem sucedidos. E mesmo essas, com certeza vão ter problemas. Mas acredito que uma relação a dois saudável é possível e se há quem julgue que encontrou uma deve defende-la com unhas e dentes.
Isso nada tem a ver com as armadilhas que a gente faz pra si mesmo, como a de se trancar em um casamento infeliz e passar a crer piamente que a vida se resume a isso. Em nome de que mesmo? De filhos que passam anos carregando nas costas pai e mãe emburrados que insistem em permanecer juntos? De um patrimoniozinho chinfrim de classe média? Do status  e segurança financeira que o casamento da (??????)? Do orgulho de não voltar atrás? Ou será que não é em nome de nada? Será que é só medo… medo do desconhecido, medo de ser sozinho.
Não zombo desse medo. Quem seria eu pra isso? Logo eu que passei tanto tempo refém dele. Só queria convidar a uma reflexão que eu gostaria de ter tido a lucidez de fazer antes do que fiz. O fim de um relacionamento, ainda que seja um casamento, ou uma união estável, ou um concubinato, ou seja lá o nome que você dê, não é nada mais que isso: o fim de um relacionamento. A vida, enquanto for vida, segue sempre e pode te surpreender com seus novos rumos e formas. E o desconhecido só é assustador até começar a acontecer.

Fonte: http://altaestima.wordpress.com/2011/08/08/existe-vida-depois-do-divorcio/