Desde sempre ouvimos falar do medo do desconhecido. A princípio soa como uma coisa esotérica ou de ficção científica. Começamos a imaginar uma experiência extra-sensorial, ou abdução por extra-terrestres ou a mudança para um lugar muito distante. Mas dificilmente é o que significa. Na maioria das vezes o nosso desconhecido é uma coisa tão simples quanto um próximo passo. E esse é o tipo que mais assusta. Tomar uma atitude que mude a vida, mesmo quando ela está insuportável, nos faz parar pra pensar, ou nem faz, às vezes o medo apenas nos paralisa.
Talvez seja por isso que o assunto divórcio apavore tanto as pessoas. Poucos tópicos são mais chocantes. A possibilidade de romper uma situação estabelecida e partir para a incerteza machuca. Deve ser porque poucos momentos na nossa vida são tão cheios de promessas duradouras e quebra-las nos parece intolerável. De uma coisa eu sei: poucas notícias são tão difíceis de dar e de receber. E digo mais: poucas são digeridas com tanta dificuldade. Chega a ser engraçado. A primeira coisa que a pessoa diz quando você conta, quase num reflexo, é: vocês vão voltar. Os mais prudentes conseguem até usar um tom de pergunta, mas a maioria é categórica. Quando aconteceu comigo, depois de falar com as pessoas mais próximas, várias vezes eu tive que consola-las. Isso mesmo: consolar as pessoas da “tragédia” da minha separação.
No último século fomos tão criticados pela instituição do divórcio que o que ficou foi uma culpa enorme. Em nossas mentes estamos sempre desistindo a toa, sempre desvalorizando a família, sempre tentando a saída mais fácil. Será mesmo?? Não sou nenhuma especialista em estatística, nem tenho números, mas não é o que tenho visto. Vejo pessoas, mulheres e homens, tentando a qualquer custo levar relações adiante, até limites inimagináveis. Isso até acabou criando um efeito colateral que seria cômico se não fosse trágico: mais de uma vez percebi inveja nas pessoas, principalmente nas mulheres. Sim, inveja do meu divórcio. Não me lembro de ter visto esse olhar quando contava que tinha me casado.
Não, de maneira nenhuma faço apologia ao fim do casamento. Pelo contrário. Sou uma boba romântica e idealista que acredita que um relacionamento estável pode sim, fazer as pessoas felizes. Bem, não sou tão boba assim, né? Sei das dificuldades (ô, se sei!). Mas também sei que é preciso tentar. Não existem príncipes, nem princesas, nem finais felizes, só pessoas que tiveram a sorte de ter encontros bem sucedidos. E mesmo essas, com certeza vão ter problemas. Mas acredito que uma relação a dois saudável é possível e se há quem julgue que encontrou uma deve defende-la com unhas e dentes.
Isso nada tem a ver com as armadilhas que a gente faz pra si mesmo, como a de se trancar em um casamento infeliz e passar a crer piamente que a vida se resume a isso. Em nome de que mesmo? De filhos que passam anos carregando nas costas pai e mãe emburrados que insistem em permanecer juntos? De um patrimoniozinho chinfrim de classe média? Do status e segurança financeira que o casamento da (??????)? Do orgulho de não voltar atrás? Ou será que não é em nome de nada? Será que é só medo… medo do desconhecido, medo de ser sozinho.
Não zombo desse medo. Quem seria eu pra isso? Logo eu que passei tanto tempo refém dele. Só queria convidar a uma reflexão que eu gostaria de ter tido a lucidez de fazer antes do que fiz. O fim de um relacionamento, ainda que seja um casamento, ou uma união estável, ou um concubinato, ou seja lá o nome que você dê, não é nada mais que isso: o fim de um relacionamento. A vida, enquanto for vida, segue sempre e pode te surpreender com seus novos rumos e formas. E o desconhecido só é assustador até começar a acontecer.
Fonte: http://altaestima.wordpress.com/2011/08/08/existe-vida-depois-do-divorcio/
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